quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pimenta de cheiro!







Essa é a Peeper Faceira, última criação da artesã artista da vida, poetisa de linhas e panos, Cristina Germann, diretamente para nós.
No encosto externo, trabalho de resgate de bordado de mullheres de uma região do sul do Brasil - inspiração contínua dessa gaúcha -  aos moldes de antigamente nas toalhas de mesa, de linho ou panos de pratos, engomadas. "Elas hoje não tem mais como usar, ou usam pouco , pois não é pratico e a minha proposta é dar uma nova direção a esta trabalho, que inclusive mantém as cores e técnicas daquela época", completa ela.
De um lado, no canto esquerdo superior, vê-se o bordado original, e no outro, canto esquerdo direito, um "rebordado", ou seja, o bordado com rica intervenção de Cristina. A peça contém ainda aplicação de pequenos quadrados bordados para suavizar a seriedade  do ponto cheio, como quem brinca,  e juntas fazer uma grande colcha de retalhos. A base da poltrona é de lona crua, lavada num fulão de couro, para deixar a lona com cara de usada, além de linho - também cru  - e encosto de veludo.

Cristina se diz contadora de histórias nata, autodidata  nas artes e  técnicas manuais, entre bordados, costuras, modelagem, trico, crochê, feltragem e tudo o mais. É designer têxtil, designer de superfícies, que cria a sua propria tela, a partir de olhar e buscar o "não visto " pela maioria das pessoas de sua área, o  não aproveitado, o  esquecido e até o estranho aos olhos de todos, como ela mesma se explica. "Gosto de avesso,do imperfeito, do interno, do individual, e embora trabalhe com técnicas que exigem acabamento, dou valor enorme ao torto , e a falta de rigidez na expressão e na força do trabalho, pois para mim a mão é assim, imperfeita  em algum momento. Hand made é para mim a melhor de todas a grifes", diz ela.

E continua: "dou um grande valor ao trabalho de cada pessoa que conheço ou conheci no trajeto da minha vida, e procuro resgatar a história de cada um, através de um acervo de trabalhos que fui coletando  ao longo dos anos e que hoje compartilho, ou através de trabalhos de parcerias que faço com mulheres que tem o mesmo trabalho que o meu, o trabalho manual. Cada peça que projeto e executo  é única, não consigo fazer outra igual, e este é o diferencial do meu trabalho. Beiro a arte. Muitas vezes me pergunto onde me enquadro, pois faço arte que pode ser usada, ou faço moveis com arte? a resposta fica e está no ar".

Diferenciais não faltam. Cada cadeira, poltrona, puff, tem um nome de batismo, nasceu de uma combinação de estrutura de madeira  e conforto, para receber um revestimento de tecido que conversa com as pessoas. Cada móvel tem sua história registrada num scrap book, que acompanha a cadeira , com o começo, meio e fim do projeto. Cada móvel leva consigo passarinhos que serão colocados por quem os adquiriu em qualquer lugar da cadeira, costurados, alfinetados. "É a possibilidade da interferência ou não no trabalho", conforme Cristina, " passarinhos tem asas, e voam, levando meus trabalhos para novas casas. Meu trabalho tem alma, não só de artista, mas de gente, que quer fazer uma diferença, que quer passar um recado, e que não quer ser visto simplemente pela criação do belo, mas pelo registro dos valores familiares, pelas histórias de cada um, pelas escolhas, e principalmente pela possibilidade de trilhar um novo caminho."
As coleções e as peças têm nomes poéticos:  Contramão do Tempo, Lembranças Afetivas, Bendita e por ai vai...mas ainda teremos muito o que falar.




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